o que o governo Temer quer fazer em 2018

Michel Temer, o presidente golpista, coloca em campo uma estratégia de comunicação para tentar se aproximar da população. Até o momento ele participou de três programas de televisão: Programa Silvio Santos (SBT), Programa do Ratinho (SBT) e Programa Amaury Jr (Band). Enquanto nos dois primeiros o tema foi somente a Reforma da Previdência, no terceiro a conversa foi pessoal e intimista. As três aparições parecem ter sido apenas as primeiras. Segundo as informações que circulam na grande imprensa, Michel Temer vai dar continuidade a essa estratégia que visa diminuir a taxa de reprovação do governo e criar condições para que a Reforma da Previdência seja aprovada.

Tanto a Reforma da Previdência quanto a taxa de reprovação do governo são importantes para as eleições de 2018. É evidente que as duas questões são importantes, mas de formas diferentes. Nas três entrevistas Michel Temer repetiu o quanto pôde a palavra “legado”. Ele deseja criar a ideia de que o seu governo está deixando para o Brasil um “legado de reformas imprescindíveis”. É uma maneira de tentar diminuir a insatisfação popular com o momento “insosso” que o país enfrenta e de dizer que a precarização do emprego e da vida de maneira geral são apenas coisas passageiras. A narrativa aparenta ser fundamental para que as propostas da centro-direita brasileira tenham algum apelo no processo eleitoral que se aproxima.

A taxa de reprovação do governo parece atrapalhar os planos de Temer para formar uma coalizão de “centro” (conservadora e neoliberal) impondo todas as suas condições. O presidente golpista quer alguém que defenda o seu “legado” e que assuma a continuidade das políticas praticadas até aqui. Até algumas semanas atrás circulavam no noticiário da grande imprensa três nomes: Geraldo Alckmin (PSDB), Rodrigo Maia (DEM) e Henrique Meirelles (PSD). Entretanto, nos últimos dias o Estadão chegou a noticiar que o próprio Michel Temer poderia sair candidato e que a estratégia de comunicação tem a intenção de construir essa possibilidade, algo que hoje parece ser impossível. É evidente que a aparição de um “outsider”, que atenda aos interesses do mercado e da elite, continua a ser uma alternativa. Luciano Huck, sempre lembrado por FHC, pode ser esse alguém.

Por contar com a “boa vontade” dos grandes meios de comunicação Temer tem uma vantagem, ele não sofre de maneira alguma com críticas. Elas simplesmente não estão presentes nos grandes meios. Quando aparecem, costumam estar cercadas de opiniões favoráveis às ações do Planalto. Michel Temer e seus associados têm um grande desafio: fazer com que o antipático e formal presidente torne-se alguém apreciável.

O desafio da imagem é semelhante ao que existe para a Reforma da Previdência, que já foi citada no início. Os jornais da segunda-feira, 5 de fevereiro, informam que não há possibilidade de a Reforma ser aprovada na Câmara. Nas notícias, o número de votos favoráveis varia de 120 até algo entre 230 e 270. Enquanto a votação não chega a um desfecho, a retórica de Temer nas entrevistas é a mesma. O golpista tenta convencer de que o projeto combate privilégios, que os mais pobres não vão ser afetados e que se a Reforma não acontecer não vai haver dinheiro para pagar as pensões e aposentadorias daqui a alguns anos.